segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Visitas das turmas dos alunos da Sala de Recursos!!!

Durante a Semana da Pessoa com Deficiência- 21 à 28 de agosto as turmas dos alunos atendidos na Sala de Recursos visitaram a sala localizada EMEF Meno Dhein.
Turma da EMEF Nereu Ramos

quinta-feira, 2 de agosto de 2012


O ensino e a aprendizagem da Matemática no contexto da Síndrome de Down.



Silvana Luísa Heinz- Professora da Sala de Recursos e Matemática da EMEF Meno Dhein
Graduada em  Licenciatura Matemática- Unisinos
Aperfeiçoamento em AEE(Atendimento Educacional Especializado)- FEVALE


A crença que sustenta a afirmativa de que um aluno com Síndrome de Down não aprende Matemática, conforme Bissoto (2005 p. 84) é muitas vezes percebida como:
 [...] pano de fundo, um não investimento, por parte dos pais e professores, em ensinar os fundamentos matemáticos aos portadores de Síndrome de Down, resultante da visão estereotipada de que estes não desenvolverão habilidades matemáticas.
        Ao desenvolver o ensino da Matemática com os alunos com SD, é imprescindível levar em consideração suas capacidades individuais ao observar, na perspectiva de Bissoto (2005, p.87): “[...] o processo de desenvolvimento particular, fruto de condições genéticas e sócio históricas próprias.”
Conforme Gardner (2000), cada indivíduo é um sujeito ímpar com forças cognitivas diferentes. Cada sujeito aprende de formas e estilos diferentes. O autor afirma que as inteligências não mudam com a idade humana, mas sim com a experiência como atributo do indivíduo. Ele afirma que as inteligências não nascem prontas nos sujeitos, mas que sofrem fortes influências em relação ao meio em que o indivíduo está inserido.
Já Jean Piaget (1978, apud ROSA, 2009) acredita que a inteligência no indivíduo sofre fortes influências e estímulos do meio que o cerca. Seus estudos apontam que quanto mais ele interage com o meio, mais desenvolverá sua inteligência. Assim, quando participamos ativamente dos acontecimentos, assimilamos mentalmente as informações sobre nosso meio e transformamos o conhecimento adquirido em formas de agir sobre ele. Por isso, o professor precisa estimular a curiosidade dos alunos, acompanhando suas possibilidades e anseios no desenvolvimento das atividades, levando em consideração seu desenvolvimento.
        O conhecimento lógico-matemático, segundo Piaget (1978, apud ROSA, 2009), é uma construção que resulta da ação mental da criança sobre o mundo, construído a partir de relações que a criança elabora na sua atividade de pensar o mundo, e também das ações sobre os objetos. Portanto, a criança não pode ser ensinada por repetição ou verbalização, a mente não é uma tábula rasa. Então cabe ao professor, proporcionar ao aluno com SD situações desafiadoras de aprendizagem matemática.
Todo conhecimento novo é construído apoiando-se sobre os conhecimentos anteriores que, ao mesmo tempo, são modificados. Na interação desenvolvida por um aluno em uma situação de ensino, ele utiliza seus conhecimentos anteriores, submetendo-os à revisão, modificando-os, rejeitando-os ou os completa [...] assim o aluno constrói novas concepções. (MORENO, 2006, p. 48)

       Partindo então do pressuposto de que a aprendizagem matemática acontece nessa perspectiva, estas condições precisam ser trabalhadas com os alunos com SD, tendo em vista que estes alunos, conforme González (2007, p.92) ainda mais que os outros, precisam ser estimulados pelo manuseio de material concreto e visual, uma vez que na escola geralmente os professores  enfatizam mais o ensino oral e “estas crianças são mais lentas em suas reações”.  Motivado pela concepção de que o ensino da Matemática é importante para o desenvolvimento de todos os seres humanos, o professor precisa estimular os alunos a refletir sobre as situações que o rodeiam no seu contexto social. Ao proporcionar atividades diversificadas para o aluno desenvolver o raciocínio lógico-matemático, cria-se estímulos, fazendo com que ele perceba a aprendizagem matemática em seu cotidiano, pois sabe-se que ela faz parte da vida diária e pode ser aprendida de uma maneira dinâmica, desafiadora e significativa. A conscientização do professor de que seu papel é proporcionar diferentes possibilidades para que os alunos participem das aulas como sujeitos ativos é fundamental.
         No entanto, o professor precisa observar que o ambiente influencia no aprendizado do aluno, ou seja, o professor precisa considerar e valorizar essas influências, retomando seu posicionamento em relação ao aluno, incentivando a construção de saberes matemáticos.
A matemática tem urgência em ser ensinada como instrumento para interpretação das coisas que rodeiam nossas vidas e o mundo, formando assim pessoas conscientes para a cidadania e  a criatividade e não somente como memorização, alienação e exclusão. É necessário e possível modificar esse enfoque atual do ensino de Matemática, garantindo um currículo que favoreça a construção do pensamento lógico-matemático das crianças através de sua ação/reflexão, considerando suas diferenças a partir dos estágios em que estão inseridas, cada qual com suas particularidades, mas todas em busca de algo em comum: aprender. (ROSA, 2009, p.806)

Carvalho (2000) ratifica essa reflexão, afirmando que para tornar a aprendizagem significativa e útil para a vida do educando, é preciso conhecer quais são os obstáculos que impedem esta aprendizagem e removê-los a fim de garanti-la.
Percebe-se, também, a importância de adaptações e flexibilizações curriculares significativas, considerando a concepção de Carvalho (2000), que todos os alunos devem ser vistos como sujeitos da sua aprendizagem. Por isso, sente-se a necessidade de oferecer a estes discentes atividades desafiadoras e motivadoras, para que de fato ocorra uma aprendizagem relevante. Nesse aspecto González (2002. p.241) acredita que:
       O movimento para responder à diversidade, numa escola inclusiva, tem muitas implicações para os professores e para as próprias escola. Que devem centrar-se na busca de estratégias de ajuda para todos os alunos, a fim de  que estes possam se desenvolver ao máximo suas possibilidades. É necessário, portanto, analisar e aprofundar aspectos que possam favorecer ou dificultar o desenvolvimento profissional e intervir adequadamente para que os professores trabalhem em condições adequadas e rendam ao máximo.
Sendo assim é necessário dentro dos ambientes escolares criar espaços para a construção de saberes matemáticos importantes e acima de tudo que estimular a autonomia dos alunos com SD.




Referências Bibliográficas:
BISSOTO, Maria L. Desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do portador de síndrome de Down: revendo concepções e perspectivas educacionais. In:  Ciência & Cognição, v. 04, p.80-88, mar. 2005. Disponível em: <http://www.cienciasecognicao.org/pdf/ v04/m11526.pdf> Acesso em: 20 de ago. de 2011.
CARVALHO, Rosita. Removendo Barreiras para a aprendizagem. Porto Alegre: Editora  Mediação.2000. 173 p.
GARDNER, Haward. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Tradução: Maria Adriana Verinese. Porto Alegre: Artmed. 2000. 257 p.
GONZÁLEZ, Eugenio. GONZÁLEZ, Maria Del Pilar. Síndrome de Down: Aspectos Evolutivos e Psicoeducacionais.In: GONZÁLEZ, Eugenio (Org). Necessidades Educacionais Específicas: intervenção psicoeducacional. Tradução: Daisy Vaz de Moraes. Porto Alegre: Artmed, 2007.p. 86-99.
MORENO, Rosa Beatriz. O ensino do número e do sistema de numeração na educação infantil e 1ª série. In: PANIZZA, Mabel e colaboradores. Ensinar Matemática na Educação Infantil e Séries Iniciais. Tradução de Antonio Feltrin. Porto Alegre: Artmed, 2006. p. 43-76.
ROSA, Roseli i Scuinsani. Piaget e a Matemática. In. I Simpósio Nacional de Ensino de Ciência e Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, 2009. Paraná. p 801-807. Disponível em: <http://www.pg.utfpr.edu.br/sinect/anais/artigos/9%20Linguagemecognicaonoensinodecienciaetecnologia/Linguagemecognicaonoensinodecienciaetecnologia_Artigo5.pdf>. Acesso em: 24 set. 2011

Exemplo de Superação!!!

Amigos!


Abaixo segue um link de uma reportagem de um aluno da Universidade FEEVALE que conheci no projeto da Professora Regina em 2011! Parabéns Guilherme por esta conquista e  deixar uma lição para todos nós: é preciso acreditar em  nossos sonhos e procurar alternativas para concretizá-los!!!!

http://www.feevale.br/acontece/noticias/mais-uma-vitoria-de-guilherme-finotti

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Olá
Segue um vídeo do Projeto de Desing Inclusivo da Universidade FEEVALE.
Meu aluno Natanael participa do Projeto desde agosto de 2011.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Sala de Recursos

A Sala de Recursos de Lindolfo Collor-RS


O município de Lindolfo Collor localiza-se no Vale do Rio dos Sinos, a 55 km da Capital Gaúcha, Porto Alegre, emancipando-se de Ivoti em 26 de março de 1992. O município era conhecido por Picada Capivara devido à grande existência destes animais na localidade. Conforme dados do Censo de 2010, a população do município é de 5227 habitantes. Hoje, Lindolfo Collor constitui-se pelos seguintes bairros: Capivarinha, 14 Colônias, Picada 48 Baixa, Centro e Feldmann. Mais de 80% da população é constituída por imigrantes do Alto Uruguai, sendo que os primeiros imigrantes alemães chegaram a estas terras por volta de 1826.
As principais atividades econômicas da cidade estão voltadas ao setor coureiro calçadista, sendo que no ano de 2008 a cidade foi intitulada como “Capital dos Tapetes de Couro”, pela vasta produção dos mesmo na cidade. Outra fonte de renda do município é a produção de carvão vegetal e a agricultura.
No município, há duas escolas de Educação Infantil, três escolas de Ensino Fundamental municipais e uma escola de Ensino Fundamental e Médio estadual.
Nesse cenário, durante três meses, acompanhei a rotina escolar de Chaves, Xuxa e Scooby-Doo1, três alunos com Síndrome de Down que estão matriculados em escolas da rede municipal e estadual de ensino, bem como coletei dados sobre a sua vida familiar e escolar, por meio de entrevistas realizadas com os pais e professores.
Durante o período de coleta de dados, os alunos foram observados semanalmente em sala de aula e em outros espaços escolares para analisar como eles aprendem e que relações conseguem estabelecer com os saberes matemáticos. Além desses tempos e espaços, também foram realizadas intervenções na Sala de Recursos Multifuncionais, observando-se e visualizando possibilidades de aprendizagens matemáticas.
Cabe destacar que em Lindolfo Collor foi implantada a Sala de Recursos Tipo I, pois não temos nenhum caso de aluno cego.
A Sala de Recursos Multifuncionais de Lindolfo Collor - RS iniciou os atendimentos em março de 2011, sendo instalada numa sala de aula da Escola Municipal de Ensino Fundamental Meno Dhein, no bairro Feldmann, e atende toda a demanda da rede municipal e estadual de ensino do município.
No total são atendidos 11 alunos com Necessidades Educativas Especiais (NEE), que foram identificados no Censo Escolar de 2010 pela deficiência que apresentam. São três casos de Síndrome de Down, dois casos de baixa visão( sendo que um deles também tem deficiência intelectual), um caso de Síndrome de Aarskog e cinco de paralisia cerebral (três casos leves, um moderado e outro grave).
Estes alunos são oriundos das escolas municipais: Monteiro Lobato, que se localiza no bairro 48 Baixa; Nereu Ramos, que está localizada no bairro Capivarinha e também da Escola Estadual Walter Herrmann, do Centro. Como a escola Meno Dhein é distante das demais, os alunos das escolas são transportados, diariamente, para a Sala de Recursos Multifuncionais, conforme horário preestabelecido, com o auxílio do transporte da Prefeitura Municipal.
Os alunos são atendidos individualmente ou em pequenos grupos conforme as necessidades de cada um. A frequência do atendimento também depende de cada caso, ou seja, alunos com mais dificuldades são atendidos até três vezes por semana. Como sou a professora responsável pela Sala, a minha carga horária está assim distribuída: 24 horas semanais para atendimento; 8 horas para planejamento, estudo e pesquisa das deficiências e confecção de jogos e recursos que promovam a acessibilidade; e 8 horas são destinadas a visitas e orientações aos professores que atendem esses alunos nas escolas do município. É importante ressaltar que para cada aluno há um planejamento especifico, ou seja, tem-se organizado onze planejamentos pensados individualmente para cada caso. Jogos pedagógicos são confeccionados a partir dos interesses de cada educando, para, assim, através de uma maneira lúdica e atrativa, despertar o interesse e a curiosidade dos alunos pela aprendizagem.
Antes de iniciar os atendimentos na Sala de Recursos Multifuncionais, foi realizado um período de sondagem para verificar quais as dificuldades e habilidades que cada aluno possuía, para, assim, traçar as metas e objetivos do plano de Atendimento Educacional Especializado (AEE) de cada um.
As atividades são realizadas para que o aluno desenvolva suas potencialidades e também na intenção de buscar alternativas eficazes para remover barreiras da aprendizagem e promover a inclusão na sala de aula. Nesse movimento de busca de possibilidades de ensino e aprendizagem, Rosita Carvalho (2004) destaca, em seus estudos, que a educação além de ser praticada, precisa ser pensada em seu sentido, tendo significado para as pessoas e sociedade. Sendo assim, a proposta de atendimento educacional especializado precisa estimular, juntamente com a família e professores, ações que desenvolvam e oportunizem situações significativas e reais de aprendizagem. Limitar e reforçar as dificuldades de cada aluno não é o objetivo do AEE, pois com este atendimento afirmamos que todos os alunos, sem exceção, devem participar do cotidiano escolar. A autora afirma que a inclusão segue a metáfora do caleidoscópio, pois a escola deve oferecer um trabalho pedagógico pensando nos interesses e capacidades de todos os alunos, não só daqueles de inclusão.
Uma das estratégias do AEE na Sala de Recursos de Lindolfo Collor é a visita semanal às escolas dos alunos para que assim aconteça a troca de experiências e análise das estratégias utilizadas pelos professores no cotidiano da escola. O contato e a orientação das famílias dos alunos é outro aspecto importante, pois há pais que necessitam algumas indicações e orientações para auxiliar efetivamente na educação de seus filhos. Um dos objetivos relevantes do AEE é promover a autonomia dos alunos, principalmente os casos de Síndrome de Down, pois há ainda uma super-proteção dos pais em relação algumas atitudes de sua vida diária.
Durante os atendimentos são confeccionados e utilizados materiais pedagógicos, pensando nas individualidades de cada aluno, e também nas habilidades que ele poderá desenvolver, utilizando-os.










Olá, meu nome é Silvana Luísa Heinz. Sou professora da Rede Municipal do município de Lindolfo Collor, sou formada em Curso Normal em Nível Médio (IEI-2006), graduada em Matemática (Licenciatura) pela UNISINOS (2011/02) e curso de aperfeiçoamento em AEE (Atendimento Educacional Especializado) Universidade FEEVALE (2011). Trabalho na Sala de Recursos do município desde sua implantação (março de 2011).